Chargeback é a contestação de uma compra feita no cartão: o titular pede ao banco emissor que cancele a cobrança, e o valor é estornado e debitado do vendedor. Ele acontece quando o titular não reconhece a compra (fraude ou uso indevido do cartão), quando o produto não foi entregue, chegou diferente do anunciado ou o serviço não foi prestado, ou por erros de processamento, como cobrança em duplicidade. O vendedor pode contestar enviando provas no prazo definido pela credenciadora. Em vendas online e por link de pagamento, o risco é maior, porque não há leitura do chip nem senha.
Como funciona o processo

- O titular contesta a compra no banco emissor do cartão.
- O emissor abre a disputa pela bandeira e avisa a credenciadora (a empresa da sua maquininha ou plataforma).
- A credenciadora notifica você e, em geral, bloqueia ou debita o valor.
- Você tem um prazo para enviar a defesa com documentos.
- O emissor analisa e decide; em alguns casos, há novas etapas de disputa.
Os prazos variam por bandeira e credenciadora. Leia o contrato e responda rápido.
Motivos mais comuns
| Motivo | Exemplo | Como prevenir |
|---|---|---|
| Fraude | Cartão clonado usado numa compra online | Antifraude, autenticação, atenção a pedidos suspeitos |
| Produto não recebido | Entrega extraviada ou sem rastreio | Envio rastreável e comprovante de entrega |
| Produto diferente | Cor, tamanho ou qualidade diferentes do anúncio | Descrição e fotos fiéis |
| Não reconhecimento | Nome da empresa na fatura diferente do nome fantasia | Nome reconhecível na fatura do cartão |
| Duplicidade | Cobrança passada duas vezes | Conferir transações e estornar na hora |
| Arrependimento sem resposta | Cliente pediu cancelamento e não foi atendido | Atender e estornar dentro das regras |
Quanto custa um chargeback

Venda de R$ 600 com custo da mercadoria de R$ 300 e frete de R$ 40, contestada por fraude e perdida: você perde o produto (R$ 300), o frete (R$ 40) e não recebe os R$ 600. Com margem de 15%, seriam precisas cerca de 4 vendas iguais (340 ÷ 90 ≈ 3,8) só para recuperar o custo dessa perda. Algumas credenciadoras ainda cobram tarifa por disputa.
Como contestar (defesa)
- Comprovante de entrega: rastreio com assinatura ou foto, data e endereço.
- Nota fiscal da venda.
- Conversas com o cliente confirmando o pedido.
- Prova de prestação do serviço: ordem de serviço assinada, fotos, registros de acesso.
- Política de troca e cancelamento aceita pelo cliente.
Organize esses documentos desde a venda. Sem provas, a disputa costuma ser perdida.
Como reduzir o risco
- Na loja física, prefira transações com chip ou aproximação e senha.
- Online, use plataformas com antifraude e autenticação do titular.
- Desconfie de pedidos altos de clientes novos com pressa e endereços estranhos.
- Ofereça Pix com desconto: Pix não tem chargeback de cartão, embora haja mecanismos de devolução em casos de fraude. Veja Pix para empresas.
- Responda rápido a reclamações; muitas contestações começam com um cliente sem resposta.
Veja também link de pagamento e como escolher maquininha.
Estorno x chargeback
Estorno é o cancelamento feito por você, a pedido do cliente ou por erro. Chargeback é a contestação feita pelo titular ao banco. Resolver com estorno quando o cliente tem razão evita o chargeback, as tarifas e o histórico negativo com a credenciadora.
Modelo de dossiê de defesa
Quando chega um aviso de contestação, o tempo é curto. Ter um modelo pronto ajuda a responder rápido e com tudo o que o emissor do cartão precisa ver. Monte um arquivo único, em PDF, nesta ordem:
- Resumo de uma página: data, valor, número do pedido, produto ou serviço, forma de entrega e por que a venda é legítima.
- Comprovante da transação: autorização, número do cartão mascarado, parcelas.
- Nota fiscal com os dados do comprador.
- Prova de entrega: código de rastreio com status de entregue, data, endereço e, se houver, foto ou assinatura do recebedor.
- Comunicação com o cliente: prints de conversas confirmando o pedido, a entrega ou o uso do serviço.
- Políticas aceitas: termos de troca, cancelamento e prazos, com a prova de que o cliente concordou.
- Para serviços: agenda, ordem de serviço assinada, fotos do antes e depois, registros de acesso a cursos ou sistemas.
Crie uma pasta por pedido acima de certo valor (por exemplo, R$ 300) e salve tudo no momento da venda e da entrega. Juntar provas meses depois é difícil, e a contestação pode chegar bem depois da compra.
Acompanhe também a taxa de chargeback (contestações dividido pelo total de vendas no cartão). Se ela subir, a credenciadora pode aplicar tarifas, reter valores ou até encerrar o contrato. Reveja o processo de venda, a descrição dos produtos e o atendimento ao primeiro sinal de aumento.
Perguntas frequentes
O que enviar na defesa de um chargeback?
Comprovante da transação, nota fiscal, prova de entrega, conversas com o cliente e as políticas aceitas.
A credenciadora pode reter meu dinheiro por chargeback?
Sim, o contrato costuma permitir reter ou debitar valores em disputa e, com muitas contestações, aplicar outras medidas.
Como calcular a taxa de chargeback?
Divida o número (ou o valor) de contestações pelo total de vendas no cartão do período.
O que é chargeback?
É a contestação de uma compra no cartão pelo titular, que leva ao estorno do valor e ao débito do vendedor.
Quem paga o chargeback?
Na maioria dos casos, o vendedor, especialmente em vendas sem cartão presente.
Dá para contestar um chargeback?
Sim, enviando provas da venda e da entrega dentro do prazo da credenciadora.
Qual o prazo para o cliente pedir chargeback?
Depende da bandeira e do motivo; pode chegar a meses após a compra.
Pix tem chargeback?
Não como no cartão, mas existe o Mecanismo Especial de Devolução para casos de fraude e falha operacional.
Estorno e chargeback são a mesma coisa?
Não. O estorno é feito pelo vendedor; o chargeback é pedido pelo titular ao banco.
Fontes para conferir
Os exemplos deste guia são estimativas. Para confirmar valores e regras atuais, consulte:



