Sim, é permitido cobrar preços diferentes conforme a forma de pagamento. A Lei 13.455/2017 autoriza o comerciante a dar desconto para pagamento em dinheiro ou Pix, ou a cobrar mais no cartão, desde que o cliente seja informado de forma clara e visível antes da compra. A questão prática é como calcular a diferença sem errar a conta e sem afastar o cliente.
O que a lei permite
A Lei 13.455, de 2017, permite a diferenciação de preços em função do prazo ou do instrumento de pagamento utilizado. Na prática:
- você pode ter um preço no Pix ou dinheiro e outro no cartão;
- o cliente precisa ser informado antes de fechar a compra, de forma ostensiva (placa, etiqueta, cardápio, site);
- a regra também vale para preços diferentes à vista e a prazo.
Como calcular o preço no cartão
O erro comum é somar a taxa ao preço. Como a taxa incide sobre o valor cobrado, a conta certa é dividir:
preço no cartão = preço à vista ÷ (1 − taxa do cartão)
Preço à vista de R$ 100 e taxa do crédito de 3,5%: 100 ÷ 0,965 = R$ 103,63. Somar 3,5% daria R$ 103,50, e você receberia R$ 99,88.
| Taxa do cartão | Preço à vista | Preço no cartão (repasse correto) |
|---|---|---|
| 1,5% (débito) | R$ 100 | R$ 101,52 |
| 3,5% (crédito) | R$ 100 | R$ 103,63 |
| 5,0% (3x) | R$ 100 | R$ 105,26 |
| 5,43% (crédito antecipado) | R$ 100 | R$ 105,74 |
Faça a conta com as suas taxas no simulador de taxas da maquininha.
Desconto no Pix ou acréscimo no cartão?
As duas formas chegam ao mesmo resultado, mas a percepção do cliente é diferente. “5% de desconto no Pix” costuma soar melhor do que “5% a mais no cartão”. Uma estratégia comum é formar o preço com a taxa média do cartão embutida (veja a calculadora de preço de venda) e oferecer desconto no Pix, limitado à economia de taxa.
Como informar o cliente
- Etiqueta ou cardápio com os dois preços, ou com a regra (“5% de desconto no Pix”).
- Placa visível no caixa.
- No site ou link de pagamento, mostrar o preço de cada forma antes da finalização.
Exemplo prático: uma loja de materiais de construção
Uma loja vende muito no crédito e em obras com valores altos. Ela forma os preços com a taxa média do cartão já embutida (3,2%) e oferece 3% de desconto no Pix ou dinheiro.
| Forma de pagamento | Cliente paga (compra de R$ 1.000) | Custo do meio | Loja recebe |
|---|---|---|---|
| Crédito à vista (3,5%) | R$ 1.000 | R$ 35 | R$ 965 |
| Débito (1,5%) | R$ 1.000 | R$ 15 | R$ 985 |
| Pix com 3% de desconto | R$ 970 | R$ 0 a R$ 9,60* | R$ 960,40 a R$ 970 |
*Conforme a tarifa de Pix da conta PJ (0% a 0,99%). Com o desconto de 3%, a loja recebe praticamente o mesmo que no crédito, só que na hora, e o cliente sente que ganhou. É a forma mais comum e mais bem aceita de diferenciar preços.
Como escrever o aviso para o cliente
Exemplos de textos claros para etiqueta, placa ou cardápio:
- “Preços válidos para cartão. No Pix ou dinheiro, 3% de desconto.”
- “À vista no Pix: R$ 97,00 | No cartão: R$ 100,00.”
- “Parcelamento em até 3x sem juros. Acima disso, juros da operadora.”
O importante é que o cliente veja a regra antes de decidir a compra, e não só na hora de pagar.
O que evitar
- Cobrar um acréscimo que não estava informado no momento do pagamento.
- Anunciar um preço e cobrar outro sem explicação visível.
- Repassar a taxa errada (somar em vez de dividir), o que faz você perder um pouco em cada venda.
- Exagerar no acréscimo: uma diferença muito maior que a taxa real afasta clientes e pode gerar reclamação.
E no parcelado?
A mesma lei permite diferenciar preço pelo prazo de pagamento. Muitas lojas trabalham assim:
- Preço à vista no Pix: o menor preço.
- Preço no cartão em 1x ou poucas parcelas: o preço “cheio”, com a taxa média já embutida.
- Parcelado longo: com juros do comprador, cobrados pela operadora do cartão, ou um preço a prazo informado com clareza.
Se você oferece parcelado sem juros, o custo precisa estar no preço “cheio”. Veja a conta em parcelado sem juros vale a pena?.
Diferenciar preço afasta clientes?
Na prática, o desconto no Pix se tornou comum no varejo brasileiro e costuma ser bem aceito. O que gera atrito é a surpresa no caixa ou um acréscimo muito maior que a taxa real. Comunicar a regra com antecedência e de forma positiva (“ganhe 3% no Pix”) resolve a maior parte das objeções. Acompanhe a participação do Pix nas vendas depois da mudança: se ela subir, a sua taxa média cai e a margem melhora.
Perguntas frequentes
Posso cobrar a taxa da maquininha do cliente?
Você pode ter um preço diferente para o cartão, desde que informado antes da compra. Na prática, isso equivale a repassar a taxa. Use a conta do repasse correto: preço ÷ (1 − taxa).
É permitido cobrar mais caro no cartão?
Sim. A Lei 13.455/2017 permite diferenciar preços conforme a forma de pagamento, desde que o cliente seja informado com clareza antes da compra.
Como calcular o acréscimo do cartão?
Divida o preço à vista por (1 − taxa do cartão). Com taxa de 3,5%, um preço de R$ 100 vira R$ 103,63 no cartão.
Posso dar desconto só no Pix?
Sim, desde que a regra seja informada de forma clara ao cliente.
Fontes para conferir
Os exemplos deste guia são estimativas. Para confirmar valores e regras atuais, consulte:



