Precificar um produto é encontrar o preço que cobre o custo, os impostos, as taxas, as comissões, a parte das despesas fixas e ainda deixa lucro, e que o cliente aceita pagar. O caminho seguro tem cinco passos: levantar o custo real, somar os percentuais sobre a venda, calcular o preço pelo markup divisor, comparar com o mercado e acompanhar a margem depois. Abaixo, cada passo com um exemplo completo.
Passo 1: descubra o custo real do produto
O custo não é só o valor da nota do fornecedor. Some tudo o que é preciso para o produto estar pronto para vender:
- preço de compra ou matéria-prima;
- frete de entrada e impostos da compra que não são recuperados;
- embalagem, etiqueta, brinde;
- perdas habituais (quebra, validade).
Compra de R$ 17,50 + frete rateado de R$ 1,50 + embalagem de R$ 1,00 = custo de R$ 20,00 por unidade.
Passo 2: levante os percentuais sobre a venda
| Item | Exemplo | Onde achar |
|---|---|---|
| Impostos sobre a venda | 6% | Seu regime tributário (o contador informa) |
| Taxa do cartão | 4% | Média das suas vendas na maquininha |
| Comissões e marketplace | 5% | Contrato com vendedores e plataformas |
| Despesas fixas | 20% | Despesas fixas do mês ÷ faturamento médio |
| Lucro desejado | 16% | Sua meta |
Para a taxa do cartão, use o simulador de taxas da maquininha. MEI paga o DAS fixo: coloque 0% em impostos e inclua o DAS nas despesas fixas.
Passo 3: calcule o preço pelo markup divisor

preço = custo ÷ (1 − soma dos percentuais ÷ 100)
Soma: 6 + 4 + 5 + 20 + 16 = 51%. Preço = 20 ÷ 0,49 = R$ 40,82.
A calculadora de preço de venda faz essa conta e mostra quanto de cada real vai para cada item.
Passo 4: compare com o mercado
O preço calculado é o mínimo saudável. Agora veja a concorrência:
- Mercado paga mais: você pode subir o preço e aumentar a margem.
- Mercado paga parecido: preço validado.
- Mercado paga menos: antes de baixar o lucro, revise custo do produto, despesas fixas e taxas. Se mesmo assim não fecha, o produto talvez não valha a pena para o seu negócio.
Passo 5: acompanhe a margem real
Uma vez por mês, compare o que você planejou com o que aconteceu: faturamento, custo das mercadorias vendidas e despesas. O CMV e a margem de contribuição mostram se o preço está funcionando.
Erros comuns na precificação
- Somar uma porcentagem ao custo e achar que é margem (veja markup e margem).
- Esquecer a taxa do cartão e a comissão.
- Não colocar o próprio salário (pró-labore) nas despesas fixas.
- Copiar o preço do concorrente sem saber o próprio custo.
- Nunca revisar o preço quando o fornecedor reajusta.
Exemplo completo: uma loja de cosméticos
Vamos aplicar os cinco passos a um caso real. Uma loja pequena de cosméticos, optante pelo Simples Nacional, quer precificar um hidratante.
- Custo real: compra de R$ 24,00 + frete rateado de R$ 1,20 + sacola e etiqueta de R$ 0,80 = R$ 26,00.
- Percentuais: Simples 6%, cartão 3,5% (média entre débito, crédito e Pix), comissão da vendedora 3%, despesas fixas 22% (R$ 8.800 de fixos ÷ R$ 40.000 de faturamento médio) e lucro de 12%. Soma: 46,5%.
- Preço: 26 ÷ (1 − 0,465) = 26 ÷ 0,535 = R$ 48,60.
- Mercado: os concorrentes vendem o mesmo item entre R$ 46,90 e R$ 54,90. O preço de R$ 49,90 fica dentro da faixa e acima do mínimo.
- Acompanhamento: no fim do mês, a loja compara a margem planejada com a real pelo CMV.
Com o preço de R$ 49,90, o lucro por unidade sobe um pouco acima da meta. Se o mercado só aceitasse R$ 44,90, a loja teria de negociar o custo, reduzir despesas ou aceitar um lucro menor nesse item de forma consciente.
Preço psicológico e arredondamento
Depois do cálculo, ajuste o preço para um valor que funcione na vitrine. R$ 48,60 vira R$ 48,90 ou R$ 49,90. Regras práticas:
- Arredonde sempre para cima do preço mínimo calculado, nunca para baixo.
- Terminações em ,90 ou ,99 funcionam bem no varejo; para serviços e produtos premium, valores redondos passam mais confiança.
- Mantenha uma lógica entre produtos parecidos, para que o cliente entenda por que um custa mais que o outro.
Preço à vista, no cartão e no Pix
O cálculo acima usa uma taxa média de cartão. Se boa parte das vendas é no crédito parcelado, essa média sobe, e o preço precisa acompanhar. Muitas lojas trabalham com um preço “cheio” para cartão e um desconto para Pix, que custa menos. Entenda as regras em pode cobrar mais caro no cartão? e veja o efeito do parcelamento em parcelado sem juros vale a pena?.
Precificação de produtos fabricados ou artesanais
Quem produz (alimentos, artesanato, confecção) tem um item a mais no custo: o tempo de produção. Some à matéria-prima o valor da sua hora multiplicado pelo tempo gasto em cada peça, ou inclua o seu pró-labore nas despesas fixas, mas não as duas coisas, para não contar o mesmo custo duas vezes. Para descobrir quanto vale a sua hora, use a calculadora de valor da hora.
Perguntas frequentes
Como precificar um produto artesanal?
Some materiais, embalagem e o valor do seu tempo de produção por peça. Depois aplique o markup divisor com taxas, despesas fixas e lucro.
Quanto de lucro colocar no preço?
Muitos pequenos negócios trabalham com 10% a 20% de lucro líquido sobre o preço, mas o valor depende do setor e do risco. O importante é que o lucro venha depois do seu pró-labore, não no lugar dele.
Qual a fórmula para precificar um produto?
Preço = custo ÷ (1 − soma dos percentuais sobre a venda), incluindo impostos, taxas, comissões, despesas fixas e lucro.
Como colocar as despesas fixas no preço?
Divida as despesas fixas do mês pelo faturamento médio do mês. O resultado é o percentual de despesas fixas que cada venda precisa cobrir.
Posso usar o preço do concorrente?
Como referência, sim, mas primeiro calcule o seu preço mínimo. Se o preço do concorrente fica abaixo dele, vender a esse preço dá prejuízo.
De quanto em quanto tempo revisar o preço?
Sempre que o custo mudar e, no mínimo, a cada seis meses, comparando a margem planejada com a real.
Fontes para conferir
Os exemplos deste guia são estimativas. Para confirmar valores e regras atuais, consulte:



